sábado, 2 de maio de 2009

Crônicas do Velho Mundo novo - Outono

À minha mãe

A vida tem, sim, suas múltiplas facetas e fases. É irônica e justa; derruba e ergue; mata e dá vida. O momento da ironia, de derrubar ou matar é na maioria das vezes mal compreendido. É visto como qualquer outra coisa, menos como algo até necessário pra que se caminhe, pra que a vida continue sendo... vida.

Assim é a ironia também de estar longe de quem tanto se ama e de quem é até essencial. Não, não estou falando do Thomas – embora todos os dias eu tenha que lidar, não com facilidade, da imensa saudade que tenho dele –, mas da minha mãezinha, que me faz uma falta enorme e cuja lembrança me dá forcas e me faz lembrar das vezes em que ela me disse "Vá, você consegue!" quando eu ainda era bem pequena e tinha medo do que representa um "desafio" pra uma criança, como resolver sozinha um pequeno problema na escola ou voltar de lá sozinha.

É impossível não viver aqui e não "vê-la" em tudo isso, ainda que nunca tenhamos vivido nada aqui, mas é que todos os dias eu lembro das coisas ensinadas e ditas e vejo o quanto isso me foi e é substancial. E ainda escuto "Vá, você consegue!", quando preciso resolver algum problema.

E porque a lembrança que tenho é constante, não pude deixar de me lembrar dela e preparar uma surpresa quando passei por um parque semana passada. Ela sempre falou com uma expressão muito bonita no rosto que o outono "deve ser a coisa mais linda, aquelas folhas todas caindo...!". Sim, mãezinha, o outono é lindo...! Faz a gente pensar: "A vida tem que circular pra continuar sendo vida!". As folhas da primavera do ano que vem serão outras tao ou mais bonitas quanto as que estão indo agora. A vida será melhor amanha, quando o tempo de ironia, distância ou qualquer outra dor que seja nos mostrar seus frutos... Pensando na senhora, mãe, eu bati várias fotos das coisas que vi neste parque. Todas pra senhora! Um presente... Selecionei as melhores e criei um álbum no orkut (http://www.orkut.com/Main#AlbumList.aspx?rl=mo&uid=6514628893080680824).

O ideal seria você ver isso de perto, mas enquanto isso não acontece vou vivendo por nós, como fez tantas vezes por mim e pelas meninas...

Te amo.

Susy Almeida
Colônia, 13.10.08

Um comentário:

  1. Ai, lindo... Tento imaginar- e consigo- a falta que sentiria da minha mãe caso viajasse pra tão longe. Mas me confortaria, ou não, com o orgulho que eu saberia que ela estava sentido por mim.

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