domingo, 24 de maio de 2009

Crônicas do Velho Mundo novo - Viva la Vida!


Vou a Paris...

Reformulei diversas vezes a crônica na tentativa de dizer isto de um modo marcante. Todas me pareceram, como diz Machado, maçantes – e demais! Achei, então, que colocar uma das mensagens da crônica num parágrafo só, exatamente o primeiro, e seguida de reticências poderia transmitir meu espanto e ansiedade diante da realidade de que visitarei Paris.

Vou a Paris... Não falo francês – não ainda –, mas Paris não é cidade que não se visite apenas por não se falar a língua, ainda que se diga que os franceses não gostam de falar inglês. Sobretudo não é cidade que se deixa de visitar quando se tem a sorte – no sentido de felicidade – de morar num país vizinho à França. A idéia de ir para lá amadureceu por volta de novembro, quando pensei nas coisas que não gostaria de deixar de fazer antes de voltar para casa. Após dar a idéia para Maria e saber que ela já estaria de todo modo lá em fevereiro, decidi ir com ela. Ao encontrar um ticket promocional de Colônia até Paris pela bagatela de 62 €, não pensei muito antes de comprá-lo.

Depois de comprar a passagem, lembrei-me das coisas que sabia sobre a França: Absolutismo, Torre Eiffel, Arco do Triunfo, Champs-Élysées, Museu do Louvre, Catedral de Notre-Dame, Amélie Poulain e barrete frígio, gorro vermelho usado pelos republicanos franceses na Tomada da Bastilha e que também aparece sobre a cabeça de Marianne, mulher que encarna a República Francesa e que guia o povo francês no quadro de Delacroix.



Não sei bem porque razão, mas a imagem do barrete da liberdade eu nunca esqueci. Talvez porque gosto de boinas que foram usadas em momentos importantes na História. Ou talvez porque gosto da idéia de liberdade e seus símbolos. Sei que a imagem ficou.

Ao comprar a passagem lembrei muito minha mãe e minhas irmãs, incluindo aqui a Maura, amiga-irmã pra mim e minhas irmãs e amiga-filha pra minha mãe. Elas, sim, sempre demonstraram mais interesse pela França do que eu. Minha irmã caçula, inclusive, estuda francês. Ao me ver com o ticket guardado na bolsa, vi mais uma vez que a gente leva quem ama aonde vai, porque desde que comprei a passagem tenho vontade de viver essa experiência por mim e por elas. Talvez seja tudo só um pensamento de fuga que meu cérebro cria para ter a ilusão de que terei esta vivência ao lado delas. Mas também talvez seja a sensação de deslumbramento ao ver tornar-se real algo que era, há um tempo, só brincadeira. Lá em casa sempre teve muita frase do tipo “Quando eu estiver em tal lugar, farei isso ou aquilo!”. Coisa que no momento a gente vê como algo distante, embora tenha muita vontade e se esforce por trazer aquilo pra perto.

Quase todos os dias tenho pensado no que posso fazer em Paris e sentido a expectativa tornar-se até arriscada dentro de mim. Quero todos os museus que puder visitar, quero todas as visões que puder ter a partir da Torre Eiffel e da própria Torre, quero andar a Champs-Élysées inteira, quero ver a quitanda de Collignon, onde se passam algumas cenas de O fabuloso destino de Amélie Poulain, e quero dormir só o estritamente necessário. Quero!

Quando vi a capa do novo CD do Coldplay, não entendi muito a relação pretendida entre a frase Viva la vida! e o quadro de Delacroix.



Às vésperas de ir à França e sentindo no peito uma vontade de viver esta experiência com tudo o que ela pode me oferecer, por mim, por minha mãe e irmãs, esta imagem ganha um sentido muito pessoal e soa até como uma ordem: viva a Vida!

Susy Almeida

Colônia, 10/11.02.09

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