"Abre essa janela, primavera quer entrar"
Casa Pré-Fabricada, Los Hermanos
Sempre se diz que os brasileiros têm diversas facetas e uma multiplicidade cultural bem extensa. O caldeamento racial que fez com que sejamos quem somos em termos de povo fez com que características contraditórias sejam tidas por tipicamente brasileiras. Tanto é brasileiro o sujeito que é malandro e malaca e que exatamente por isso faz tudo de modo displicente ou duvidoso como o sujeito que faz tudo da maneira mais perseverante e digna possível porque é brasileiro e não desiste nunca.
Tenho visto, porém, que não somos, claro, os únicos assim tão versáteis. Os alemães são donos de uma versatilidade no mínimo interessante. Não falo aqui de muitos deles não corresponderem aos tão propalados clichês, mas de eles, de um modo geral, se tornarem um tanto diferentes quando os dias passam a terminar por volta de 19 ou 20 horas e não mais em torno de 16 ou 17 horas. Os sinto mais abertos, simpáticos e sorridentes. Reconheço também que fiquei mais aberta, simpática e sorridente nesta segunda metade de ano de intercâmbio. Alguns dos dias curtos do inverno foram de tristeza e lundu gratuitos. Sol faz falta, muita falta!
Sei que com o Sol e flores brotando nos parques e nas janelas das casas, brota também gente deitada na grama destes mesmos parques lendo seus livros, fazendo churrasco, jogando futebol, namorando ou apenas conversando. Algo muito interessante de se ver e que dá um estranha sensação de que algo bom está por vir.

Antes de ontem vivi à moda germânica imperdíveis 18°C num dia ensolarado e brilhoso. Digo imperdíveis porque dias de Sol são dias a serem vividos ao Sol, já que ainda há dias em que chove bastante e a temperatura fica em torno dos 10°C – afinal, flores precisam de água. E digo à moda germânica porque não hesitei em ir ler qualquer coisa num parque perto daqui.
Também antes de ontem as aulas do semestre de verão começaram. Sim, estamos mais abertos, eu e eles. Me fez bem fazer perguntas com sobrancelhas descansadas e leveza na fala. Outro bem foi receber respostas tão ou mais leves que minhas perguntas. Sei que estar habituada a este paradoxal cotidiano de novidades e já sentir Colônia como de certa forma minha colaboram para esta leveza e descanso, mas vi que ter Sol freqüentemente me faz muito, muito bem! Se vivendo por 24 anos numa cidade rente ao mar e ao Sol, sinto através de um crescente senso de vontade as alterações de ânimo que dias maiores e iluminados provocam, por que a gente daqui não teria também reações que mostrassem tais alterações, já que só os tem como agora durante meio ano, por assim dizer? Ainda é apenas começo de primavera, mas esta Alemanha ensolarada e versátil me faz um bem que até então desconhecia, sobretudo pela expectativa do ponto alto disso tudo: verão!
Susy Almeida
Colônia, 17/18.04.09
Casa Pré-Fabricada, Los Hermanos
Sempre se diz que os brasileiros têm diversas facetas e uma multiplicidade cultural bem extensa. O caldeamento racial que fez com que sejamos quem somos em termos de povo fez com que características contraditórias sejam tidas por tipicamente brasileiras. Tanto é brasileiro o sujeito que é malandro e malaca e que exatamente por isso faz tudo de modo displicente ou duvidoso como o sujeito que faz tudo da maneira mais perseverante e digna possível porque é brasileiro e não desiste nunca.
Tenho visto, porém, que não somos, claro, os únicos assim tão versáteis. Os alemães são donos de uma versatilidade no mínimo interessante. Não falo aqui de muitos deles não corresponderem aos tão propalados clichês, mas de eles, de um modo geral, se tornarem um tanto diferentes quando os dias passam a terminar por volta de 19 ou 20 horas e não mais em torno de 16 ou 17 horas. Os sinto mais abertos, simpáticos e sorridentes. Reconheço também que fiquei mais aberta, simpática e sorridente nesta segunda metade de ano de intercâmbio. Alguns dos dias curtos do inverno foram de tristeza e lundu gratuitos. Sol faz falta, muita falta!
Sei que com o Sol e flores brotando nos parques e nas janelas das casas, brota também gente deitada na grama destes mesmos parques lendo seus livros, fazendo churrasco, jogando futebol, namorando ou apenas conversando. Algo muito interessante de se ver e que dá um estranha sensação de que algo bom está por vir.

Antes de ontem vivi à moda germânica imperdíveis 18°C num dia ensolarado e brilhoso. Digo imperdíveis porque dias de Sol são dias a serem vividos ao Sol, já que ainda há dias em que chove bastante e a temperatura fica em torno dos 10°C – afinal, flores precisam de água. E digo à moda germânica porque não hesitei em ir ler qualquer coisa num parque perto daqui.
Também antes de ontem as aulas do semestre de verão começaram. Sim, estamos mais abertos, eu e eles. Me fez bem fazer perguntas com sobrancelhas descansadas e leveza na fala. Outro bem foi receber respostas tão ou mais leves que minhas perguntas. Sei que estar habituada a este paradoxal cotidiano de novidades e já sentir Colônia como de certa forma minha colaboram para esta leveza e descanso, mas vi que ter Sol freqüentemente me faz muito, muito bem! Se vivendo por 24 anos numa cidade rente ao mar e ao Sol, sinto através de um crescente senso de vontade as alterações de ânimo que dias maiores e iluminados provocam, por que a gente daqui não teria também reações que mostrassem tais alterações, já que só os tem como agora durante meio ano, por assim dizer? Ainda é apenas começo de primavera, mas esta Alemanha ensolarada e versátil me faz um bem que até então desconhecia, sobretudo pela expectativa do ponto alto disso tudo: verão!
Susy Almeida
Colônia, 17/18.04.09
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