quinta-feira, 14 de maio de 2009

Crônicas do Velho Mundo novo - Sobre o fim de ano - Em bom cearês!


Fim de ano é fim de ano, seja em Colônia ou Fortaleza. Os comportamentos cearenses quanto ao Natal me parecem bem semelhantes aos daqui. Papai Noel, centro lotado, presentes e mais presentes e uma pretensa boa educação que se justifica em Fortaleza com um “Ai, é Natal! Não vamos fazer confusão!” e em Colônia com um “Es ist Weihnachten! Kein Stress, ne?”. E, claro, Natal se passa com a família, seja na Alemanha, seja no Brasil! Ou seja: jovens alemães que moram em repúblicas vão para as casas dos pais e estrangeiros europeus vão para os seus países. Resultado: num andar onde há em torno de 26 “reis” e “rainhas”, há no momento apenas uns seis. Com exceção de uma única alemã que viaja terça, os outros todos que ainda estão aqui são estrangeiros – não europeus, claro, porque uma passagem de ida e volta, a uma altura dessas do campeonato, para um lugar do outro lado do oceano é caríssima! O fato é que para não ouvir mais “Oh, que pena! Vai passar o Natal longe da família...!” sequer levantei minha mão quando o professor perguntou na última aula de alemão quem iria ficar por aqui no Natal e no réveillon. Nestas horas em que a pseudo-pena dos outros me irrita, prefiro pensar como a Lara, amiga mais que querida: “Ninguém precisa saber da minha vida! Sabe dela quem eu quero que saiba!”. Além disso, passar o Natal com a Maria, a alemã mais brasileira que conheço, em Munique e em Freihalden, uma cidadezinha que é, segundo ela, um jogo da velha, não é nada mal! Pelo contrário! Afinal, o Natal na casa da minha avó já é mais que conhecido por mim e um Natal na Baviera ouvindo Schwäbisch, dialeto da Maria, é coisa ainda não vivida por esta alma de já quase 25 anos!

Bom, mas a Wohnheim está isolada, como já dito. Contudo, coisas engraçadas ainda ocorrem com esta meia dúzia de estrangeiros remanescentes! O fato é que quase todos vão e voltam do banho enrolados em toalhas apenas – exceto eu e alguns poucos mais pudicos. Vai que eu topo no meio do caminho! É melhor evitar! Hoje, saindo do quarto, vi no fim do corredor Gombi, uma queniana estudante de Comércio Exterior, enrolada numa toalha comprida – ainda bem! – e Hassan, marroquino que estuda Ciências da Comunicação e síndico do andar, numa situação um tanto engraçada: ela foi ao banheiro tomar banho e esqueceu a chave no quarto! Resultado: chamou o síndico para abrir a porta de algum jeito e lá estava o pobre com um ferro na mão tentando arrombar a porta. E ela atrás dele, suando, porque, além da situação chata, ainda estava atrasada para um compromisso! Depois de ver que não dava, Hassan desistiu e sugeriu que ela fosse falar com o síndico geral para ver se ele tinha uma chave extra. Ela, triste, fez que sim com a cabeça e começou a descer as escadas. Fiquei com pena da coitada descer três andares enrolada numa toalha e me ofereci pra ir. Com o susto que ela tomou, vi que ela não esperava por isso, mas agradeceu um tanto sem jeito e disse “Se você puder...”. Pude. Desci e expliquei à mulher do síndico a situação. Ela começou a rir e disse: “Tenho uma chave, sim. E conheço a situação. Quando os rapazes vêm aqui só de toalha me pedir a chave, eu digo “Mas que bom, hein?!””. Peguei a chave sem perguntar por estes rapazes nem com que freqüência eles esqueciam a chave e subi os três andares pra retirar a bichinha daquele constrangimento. Desde que cheguei em Colônia, nunca vi ninguém se alegrar tanto com minha chegada no andar como hoje! Parecia que eu trazia a salvação. E trazia mesmo! Ela abriu a porta e em dois tempos vestiu-se. Fui pra cozinha fazer meu almoço e, em seguida, ela chegou ainda mais atarantada com o atraso, agradecendo várias vezes. Saiu pouco depois, não sem derrubar um detergente. Pensei: “Bicha atoleimada! Queria que minhas irmãs vissem isso pra nunca mais me chamarem assim!”.

Depois de cozinhar e almoçar assistindo à TV União daqui, o canal VIVA, vim arrumar minha mala. A partir de terça, o time de estrangeiros remanescentes ficará ainda menor. Como dito, Munique e Freihalden me conhecerão! Sim, estas cidades é que me conhecerão!

Susy Almeida

Colônia, dezembro de 08

Um comentário:

  1. kkkkkkkkkkkkkk
    Situação um tanto constrangedora. A partir de hoje não ando mais só de toalaha pela casa.
    kkkkkkkkkkk

    ResponderExcluir